Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.”
(Álvaro de Campos)
Hoje divago-me. Pergunto-me como seria "multiplicar-me". Como seria se a soma de todos os "eus" desse 1? Como seria se eu pudesse escolher antes de dormir o que quero ser quando acordar. E acordar e ser aquilo que nunca fui, que nunca pensei ser, ser um ser novo. Como seria se não fosse só o meu cérebro a ter a capacidade de, continuamente, se renovar, em função das experiências vividas ao longo do tempo, em função das necessidades e estímulos recebidos? Como seria se eu também pudesse usufruir dessa capacidade e em vez de haver apenas a plasticidade cerebral, existisse também a plasticidade de feitios, defeitos e qualidades? A continua renovação.
Hoje pergunto-me. Divago-me como seria se realmente houvesse uma bola cor-de-rosa com pequenas televisões em que em cada uma delas estivesse um sonho, como seria se essa bola não funcionasse só para a noite, funcionasse também para o dia? Como seria se eu pegasse num comando e fizesse "voltar atrás"? Seria a mesma? A mesma tola e apaixonada? Que sou hoje, que fui ontem e que serei amanhã? Será que iria ter quem tenho, pensar em que penso, ocupar-me com o que me ocupo? Será que os meus dias iriam ser as mesmas rotinas? Iriam ser "Lipstick Jungle" numa terça à noite e escuteiros num sábado à tarde?
Talvez. Sim ou não. Tanto faz! Agora estou bem como estou! Preferia sentir-me mais protegida, menos cansada, com mais energia, mas estou bem agora!
Abro a janela, inspiro o ar gélido que me quebra o batimento monótono do coração tornando a minha respiração mais pesada e o bater mais agitado. Não estou no meio do oceano, mas imagino-me ai! Segura de mim, confiante e quase que egocêntrica. E fecho os olhos, de novo. Gosto muito de fechar os olhos, de me imaginar em sítios quase impossíveis de serem habitados. Quando preciso de espaço faço isso. Centro-me só em mim, fingo que o Mundo não existe...Todos precisamos de espaço de vez em quando. Mas agora não. Agora estou bem. Tenho o espaço que preciso. E contrariamente áquilo que eu acho, eu estou bem sozinha, não preciso de nínguem para me fazer sentir segura, eu tenho que ganhar essa capacidade. Tenho os amigos que preciso e tenho a família que preciso. Tenho sorrisos sinceros e verdadeiros. Os que bastem para fazer outros sorrir também.
Talvez sim, isto seja um agradecimento a Deus. A Deus que para mim significa Amor, Fé, Esperança... Mas principalmente Força.
Obrigada.
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