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domingo, 16 de agosto de 2009

Vou contar-te um segredo

" Quando um tipo se envolve com uma mulher, tem vontade de a levar até ao fim do Mundo. Mas é mais que isso: "quando não estou contigo ausento-me de mim próprio, começo a ouvir as pessoas cada vez mais longe e movimento-me como se estivesse dentro do Sputnik. Só me falta a Laika a ladrar em delírio, feliz por pairar num universo sem gravidade.
Isto é grave, mais grave do que partir de foguetão e ficar perdido no espaço, porque na solidão da estratosfera há alguém cá em baixo que nos comanda à distância, que nos fala através dos altifalantes, nos diz que somos heróis, que está na hora de dormir e sabemos que não estamos sós. Quando tu não estás comigo, fico sem voz de comando, ninguém me diz nada porque as pessoas falam mas eu não as oiço; escuto apenas o teu coração a bater junto ao meu, a tua respiração de suspiros, os teus gemidos de arrepio quando te passo as mãos pelos braços e estes se eriçam como pêlo de gato; escuto apenas a tua pele cujo cheiro reconheci antes mesmo de lhe tocar, a música dos teus cabelos quando escorrem pelas minhas mãos como água doce e tu sorris como uma miúda e eu tenho vontade de nunca mais te largar. Longe de ti não sei se estou perdido, apenas sei que me sinto só, e só penso voltar para o teu lado.
Gosto de ti de uma forma que não consigo nem quero explicar, gosto de ti assim, despenteada, um bocadinho carente, às vezes muito cansada; gosto das tuas gargalhadas sacudidas, das tuas mãos pequeninas, das tuas ancas estreitas a que me agarro como pegas de guiador de bicicleta; gosto da tua boca quando toca na minha e dos teus ombros que se enroscam por entre os meus, quando tens medo do passo seguinte.
Eu também tenho medo, mas não digo nada. Gosto de sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem, mesmo quando os dias me trocam as voltas e chego à noite estoirado a casa, sem encontrar sentido às coisas.
Não sei se caiste do céu, nunca ouvi dizer que o Chiado era um aeroporto de anjos, mas agora que vieste de um planeta diferente, não te vás já embora, a casa é tua, entra, experimenta, mora um bocadinho no meu coração e ouve o teu a bater. Talvez ele te diga se este é o teu lugar e chegaste ao fim da tua viagem. A casa é tua, fica-te por aí até saberes o que queres, porque querer é poder e, se depender de mim, eu quero que fiques para sempre, enquanto o que sinto por ti for verdade."




E depois é estar longe de ti, ler estas coisas e perguntar-me: "Mas porque raio é que tu não me podes dizer coisas destas??". Ao que o meu coração me responde: "Isso és tu que sentes, não é ele."

Que se lixem os livros românticos :x Odeio-os!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Sabes, tu?

"Sabes quanto valem os sonhos?
Sabes quanto vale um beijo na boca do teu amor?
Sabes quanto vale um pôr do Sol?
Sabes quanto vale...
Sabes quanto vale a liberdade?
Quanto vale, e quanto custa, lutar pelo que se acredita?
Quanto vale o ar que respiramos?
Quanto vale um sorriso na boca de uma criança?
Quanto vale um abraço de um amigo fiel?
Sabes quanto custa...
Sabes quanto custa ser Verdadeiro?
Sabes quanto custa viveres o que acreditas?
Sabes quanto custa ganhar e perder o Amor?

... Sabemos tão pouco e queremos ser tudo."


Ricardo Antunes. Onde está o branco em Ti?





ESTOU À DESCOBERTA DE MIM.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Onde está o branco em TI?

"No fundo a vida é uma questão de escolhas. Estamos aqui porque escolhemos, porque decidimos estar aqui. Ninguém nos diga que é impossível ou que devia ter sido feito de outra forma. Fizemos as opções que entendemos, tendo em conta aquilo em que acreditávamos. E é assim que vivemos todos. Em busca de algo que não sabemos explicar e a que podemos chamar felicidade, amor, perfeição ou outra coisa qualquer.
A realidade é que passamos uma vida inteira em busca da resposta às perguntas fundamentais que sempre se colocaram diante do Homem: «Quem és? Donde vens? Para onde vais?» Às vezes, pode ser que as respostas estejam mais perto do que podemos imaginar. E um dia, num daqueles dias em que nos sentimos à beira do abismo, em que tudo nos parece sem sentido e nos apercebemos do «deserto» da vida, num desses dias, num momento de silêncio, feito sem querer, sopra um murmúrio: «Lembra-te de quem és... Lembra-te donde vens... Lembra-te do que tens de fazer e para onde tens de ir.»
Nessa altura, podemos tomar uma de duas opções: podemos ignorar, «dar a volta por cima», retomar os nossos dias de sempre, os nossos gostos, os nossos desejos e opiniões e tudo volta a ser como antes, ou então damos ouvidos a esse sussurro, compreendemos a escassez de sentido naquilo que fazemos, observamos que não somos realmente felizes e decidimos ler o livro que está escrito dentro de nós.
Há uma velha profecia índia que diz: «O abismo existe para nos recordar que sabemos voar!» Parece-me que faz sentido. Foi assim que as coisas se passaram connosco e pressinto que, de uma forma ou de outra, é assim que se passa com todos. Sejamos responsáveis, aproveitemos o instante de vida do mundo que nos foi proporcionado a viver. O Amor está sempre em todos os lugares e segue o seu rumo, demorando mais ou menos tempo a consumar-se, consoante nós o ajudemos ou impeçamos de manifestar-se.
Já muitos se reúnem de si próprios. Pouco a pouco, a luz vai tocando no coração dos homens.
O momento aproxima-se. Qual será a tua escolha?"


Ricardo Antunes. Onde está o branco em ti?

domingo, 17 de agosto de 2008

"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece..."



O Amor é Fodido - Miguel Esteves Cardoso

domingo, 20 de julho de 2008

Se me pudesses ver agora

" Não sou mágico, sabem? Não consigo cruzar os braços, menear a cabeça, pestanejar e desaparecer e reaparecer em cima de uma estante ou de outra coisa qualquer. Não vivo numa lâmpada, não tenho umas orelhinhas esquesitas, grandes pés peludos, nem asas. Não troco dentes caídos por moedas, não deixo presentes debaixo de árvores, nem escondo ovos de chocolate. Não consigo voar, trepar pelas paredes dos prédios, nem correr mais depressa que a velocidade da luz.
E também não consigo abrir portas.
Alguém tem de o fazer por mim. (...)
Eu não me rio dos adultos quando eles não conseguem trepar às árvores, nem dizer o alfabeto de trás para a frente, porque para eles isso é fisicamente impossível. (...)
Como já disse, não sou um super-herói; o meu poder especial é a amizade. Escuto as pessoas e ouço o que elas dizem. Presto atenção ao tom das suas vozes, às palavras que usam para se expressarem, e, ainda mais importante do que isso, ouço aquilo que elas não me dizem. "



Cecelia Ahern "Se me pudesses ver agora"