" Quando um tipo se envolve com uma mulher, tem vontade de a levar até ao fim do Mundo. Mas é mais que isso: "quando não estou contigo ausento-me de mim próprio, começo a ouvir as pessoas cada vez mais longe e movimento-me como se estivesse dentro do Sputnik. Só me falta a Laika a ladrar em delírio, feliz por pairar num universo sem gravidade.
Isto é grave, mais grave do que partir de foguetão e ficar perdido no espaço, porque na solidão da estratosfera há alguém cá em baixo que nos comanda à distância, que nos fala através dos altifalantes, nos diz que somos heróis, que está na hora de dormir e sabemos que não estamos sós. Quando tu não estás comigo, fico sem voz de comando, ninguém me diz nada porque as pessoas falam mas eu não as oiço; escuto apenas o teu coração a bater junto ao meu, a tua respiração de suspiros, os teus gemidos de arrepio quando te passo as mãos pelos braços e estes se eriçam como pêlo de gato; escuto apenas a tua pele cujo cheiro reconheci antes mesmo de lhe tocar, a música dos teus cabelos quando escorrem pelas minhas mãos como água doce e tu sorris como uma miúda e eu tenho vontade de nunca mais te largar. Longe de ti não sei se estou perdido, apenas sei que me sinto só, e só penso voltar para o teu lado.
Gosto de ti de uma forma que não consigo nem quero explicar, gosto de ti assim, despenteada, um bocadinho carente, às vezes muito cansada; gosto das tuas gargalhadas sacudidas, das tuas mãos pequeninas, das tuas ancas estreitas a que me agarro como pegas de guiador de bicicleta; gosto da tua boca quando toca na minha e dos teus ombros que se enroscam por entre os meus, quando tens medo do passo seguinte.
Eu também tenho medo, mas não digo nada. Gosto de sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem, mesmo quando os dias me trocam as voltas e chego à noite estoirado a casa, sem encontrar sentido às coisas.
Não sei se caiste do céu, nunca ouvi dizer que o Chiado era um aeroporto de anjos, mas agora que vieste de um planeta diferente, não te vás já embora, a casa é tua, entra, experimenta, mora um bocadinho no meu coração e ouve o teu a bater. Talvez ele te diga se este é o teu lugar e chegaste ao fim da tua viagem. A casa é tua, fica-te por aí até saberes o que queres, porque querer é poder e, se depender de mim, eu quero que fiques para sempre, enquanto o que sinto por ti for verdade."
E depois é estar longe de ti, ler estas coisas e perguntar-me: "Mas porque raio é que tu não me podes dizer coisas destas??". Ao que o meu coração me responde: "Isso és tu que sentes, não é ele."
Que se lixem os livros românticos :x Odeio-os!
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domingo, 16 de agosto de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Noite Invernal

Chovia imenso lá fora, mas era cedo de mais para a noite acabar ali, e num momento cego de loucura, ele vestiu o seu casacão amarelo, deu uma olhadela no espelho, fechou as luzes e saiu de casa.
Chovia imenso lá fora, era de noite, mas o momento cego de loucura fê-lo levar os óculos de sol, talvez escondessem um pouco mais o seu olhar louco, desejante por uma noite, tal como o seu olhar, louca.
Chovia imenso lá fora, e ele, sem guarda-chuva e sem pressas, continuou o seu caminho. De óculos de sol, de andar decidido, paradeiro? Incerto.
Pouco importava. Desde que houvesse música, pessoas e a santa água das noites de fim-de-semana. Pouco importava para onde iria. Pouco importava o que iria fazer, com quem iria estar.
Olhos postos numa noite mais escura do que o normal. No seu corpo ricochetavam gotinhas de chuva. Como sabia bem a liberdade de não ter destino, de não ter segurança, de não ter semelhanças com nenhumas das pessoas que passavam por si na rua, a tentarem não molhar os corpos, a alma.
Aquela noite era sua. Não importava onde. Já estava a sê-lo.
(...)
Chovia imenso lá fora, era de noite, mas o momento cego de loucura fê-lo levar os óculos de sol, talvez escondessem um pouco mais o seu olhar louco, desejante por uma noite, tal como o seu olhar, louca.
Chovia imenso lá fora, e ele, sem guarda-chuva e sem pressas, continuou o seu caminho. De óculos de sol, de andar decidido, paradeiro? Incerto.
Pouco importava. Desde que houvesse música, pessoas e a santa água das noites de fim-de-semana. Pouco importava para onde iria. Pouco importava o que iria fazer, com quem iria estar.
Olhos postos numa noite mais escura do que o normal. No seu corpo ricochetavam gotinhas de chuva. Como sabia bem a liberdade de não ter destino, de não ter segurança, de não ter semelhanças com nenhumas das pessoas que passavam por si na rua, a tentarem não molhar os corpos, a alma.
Aquela noite era sua. Não importava onde. Já estava a sê-lo.
(...)
Foto: Angelo Sequeira
Texto(inspirado na frase e foto de Angelo Sequeira): Sílvia de Santa Bárbara
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
encontra-me em pequenos buraqiunhos
O Mateus tinha razão.
Ele disse-me uma vez que eu tinha muita pressa, que fazia muitos planos. É verdade. Eu faço carradas e carradas de planos e nenhum se concretiza.
Passei 84 dias entre cafés à espera que os meus planos se concretizassem sozinhos -,-.
E esses malditos planos não se referem apenas a Ir para o ginásio, Fazer o F ... Não. Eu tenho muita pressa, quero fazer tudo e acabo por não fazer nada.
Tive pressa e o Mateus disse-me: Com calma. Eu fui com calma e o Mateus depois não me disse nada -,-. Secalhar era mesmo isso!!
Agora? Agora assumo: Mateus, tu tinhas razão xD (Como é que a Carolina te aguenta, GOSH!!)
Exactamente. Calma.
Não estou à espera de nada, e acho que só porcausa disso sou muito menos infeliz.
Não espero nada, não me comprometo com nada.
Assumo o controlo de uma vez por todas. E sabe tão tão bem!!
(YES - chamo-me Sílvia.)
Ele disse-me uma vez que eu tinha muita pressa, que fazia muitos planos. É verdade. Eu faço carradas e carradas de planos e nenhum se concretiza.
Passei 84 dias entre cafés à espera que os meus planos se concretizassem sozinhos -,-.
E esses malditos planos não se referem apenas a Ir para o ginásio, Fazer o F ... Não. Eu tenho muita pressa, quero fazer tudo e acabo por não fazer nada.
Tive pressa e o Mateus disse-me: Com calma. Eu fui com calma e o Mateus depois não me disse nada -,-. Secalhar era mesmo isso!!
Agora? Agora assumo: Mateus, tu tinhas razão xD (Como é que a Carolina te aguenta, GOSH!!)
Exactamente. Calma.
Não estou à espera de nada, e acho que só porcausa disso sou muito menos infeliz.
Não espero nada, não me comprometo com nada.
Assumo o controlo de uma vez por todas. E sabe tão tão bem!!
(YES - chamo-me Sílvia.)
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
O Henrique
Podia contar muitas, muitas histórias felizes. Mas não conto! Não conto porque não me apetece. Para felicidade basta a realidade. As histórias não têm necessariamente de ser verdadeiras, não têm necessariamente de serem lógicas nem de fazerem sentido. As histórias foram feitas para sonharmos, para acreditarmos em coisas que, muito provavelmente não existem, para nos abrirem os olhos e para, em certos momentos, cairmos na realidade que, afinal, não era assim tão feliz como aparentava ser.
O Henrique não era um rapaz calmo. O Henrique era quase um fora da lei. Mas ele não se importava… Nem ele nem ninguém. Ele nunca foi muito dado. Melhor, ele não era dado mas também não se dava ao trabalho de dar. O Henrique só pensava em rebentar focinhos, partir pernas e jogar futebol. Era um animal. Mentira! Era pior que um animal. Toda a gente odiava o Henrique, e o Henrique odiava toda a gente.
Mas o Henrique mudou. Passou a frequentar os bares chiques de Lisboa, deixou de usar roupas largas, conheceu tios em Cascais, passou a ter modos - deixou de dizer asneiras, já pedia desculpa quando pisava alguém no autocarro e, até já comia de boca fechada.
É verdade! O Henrique mudou. Mas mudou tarde de mais.
Uma vez, foi procurar emprego no maior centro de emprego do país e, para seu azar, o Henrique foi atendido pela mãe de um miúdo a quem o Henrique já tinha posto no hospital, ou seja, o Henrique saiu do Centro de emprego sem emprego, com uma mancha na ficha pessoal e com uma mão marcada na cara.
Depois deste episódio, mais dois se ocorreram. O Henrique fartou-se e voltou à má vida.
Oh sim! Lá é que ele era feliz.
O Henrique não era um rapaz calmo. O Henrique era quase um fora da lei. Mas ele não se importava… Nem ele nem ninguém. Ele nunca foi muito dado. Melhor, ele não era dado mas também não se dava ao trabalho de dar. O Henrique só pensava em rebentar focinhos, partir pernas e jogar futebol. Era um animal. Mentira! Era pior que um animal. Toda a gente odiava o Henrique, e o Henrique odiava toda a gente.
Mas o Henrique mudou. Passou a frequentar os bares chiques de Lisboa, deixou de usar roupas largas, conheceu tios em Cascais, passou a ter modos - deixou de dizer asneiras, já pedia desculpa quando pisava alguém no autocarro e, até já comia de boca fechada.
É verdade! O Henrique mudou. Mas mudou tarde de mais.
Uma vez, foi procurar emprego no maior centro de emprego do país e, para seu azar, o Henrique foi atendido pela mãe de um miúdo a quem o Henrique já tinha posto no hospital, ou seja, o Henrique saiu do Centro de emprego sem emprego, com uma mancha na ficha pessoal e com uma mão marcada na cara.
Depois deste episódio, mais dois se ocorreram. O Henrique fartou-se e voltou à má vida.
Oh sim! Lá é que ele era feliz.
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