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terça-feira, 9 de setembro de 2008

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Estou cansada.
800 Km é muito. Dá para pensar muito. Dá para ter muitos “dramas solitários”.
Não sou infeliz, mas também não sou feliz. Sou o meio - talvez seja mais infeliz porque nunca estou contente com aquilo que tenho. DEFEITO – sou aquilo que muitos infelizes a sério gostariam de ser.
Mas 800 Km é muito e depois com certas músicas à mistura torna tudo MIL vezes pior.
É verdade. Chorei muito hoje.
Chorei por dentro e por fora.
Gosto mais de chorar por fora… As lágrimas correm sozinhas, sem ser preciso fazer rigorosamente nada, eu não me esforço e ninguém se preocupa porque ninguém nota. As lágrimas de dentro são mais dolorosas, inundam-me o coração e quase que me afogam a alma. Tenho de fazer um grande esforço para o coração não explodir.
Ando estranha, ando estranha cá dentro. Sinto-me vazia, – hipoteticamente vazia - sem sentido e sem lógica.


(Um aparte para Ti: Falo de vazios e é logo em ti que tenho de pensar. Tornas o meu Mundo tão cheio, tão alegre. Em ti encontrei a minha escapatória, em ti encontrei o abrigo seguro de que tanta gente fala. Tu tocaste o meu coração, cativaste-o. Tu ajudaste-o sempre, nos caminhos fáceis e nos difíceis. Estiveste sempre aqui, mesmo ao meu lado, mesmo que em continentes separadas. És sim! És a mais importante neste momento. Contigo aprendi a falar do Amor de uma nova maneira. Amor de Amizade. É graças a ti que eu tenho a força que tenho no meu coração. É graças a ti que o vazio não se prolonga – fica hipotético. Contigo, as lágrimas transformam-se em sorrisos. Dás brilho à minha vida. Dás brilho à minha presença só por te ter a meu lado. Sente só: Amo-te.)

Dramas solitários. Eu não descreveria dessa maneira.
Drama é uma palavra muito forte, muito falsa, e tudo aquilo que eu sinto é verdadeiro, é real. Não sinto porque quero – porque se eu quisesse já tinha deixado de sentir isto há muito tempo – sinto porque isto deve ter algum sentido.
Solitários também não. Tenho umas quantas pessoas a meu lado. Essas quantas que me fazem rir, que me fazem retirar-me da concha. Podem não saber que cada sorriso traz uma lágrima, mas aceitam com orgulho todos os sorrisos que lhes dou.
Realidade, fodida minha gente.

Mais uma noite. Mais uma noite em que me farto desta cama. Desta cama que parece não ter fim.
Mais uma noite em que as sombras são minhas companhias e o barulho do silêncio meu inimigo – enlouquece-me.
A minha mente grita-me palavras que não quero ouvir.
Tu não compreendes, tu também não, tu muito menos e tu, também não.
Eu compreendo?
Não. Odeio.

sábado, 30 de agosto de 2008

Carolina e Mateus

Não entendo porque é que tem de ser tudo tão tipicamente correcto.
A Carolina está interessada num rapaz, qual é o mal de ela lhe dizer o que sente?
Perguntaram-se se deviam ser directos ou meterem-se com rodeios. Escolheram a primeira opção… Mas, na realidade, não a cumprem.
A Carolina e o Mateus estão-se a conhecer, andam a trocar mails, falam na net e já trocam mensagens.
Mas a Carolina não entende porque é que as coisas não podem ser ditas exactamente com o são. A Carolina não pode dizer que acha o Mateus LINDO de morrer, que só lhe apetece olhar para ele que, na verdade, não se quer casar com ele, mas que umas curtes já iam. Mas não lhe pode dizer SIMPLESMENTE que umas curtes já iam… Não é tipicamente correcto e era arriscado de mais – ele podia achar-lhe uma atrevida de meia tigela por dizer SIMPLESMENTE a verdade.
Eu sei, as coisas ditas assim parecem ridículas. Mas a Carolina acha que o Mateus não é do género de ter namorada… Nem a Carolina pensa nisso sequer.

Quais são as complicações?
Porque é que todas as relações têm de ter ses.

Pego em exemplos, alimento-me deles. Não tenho eu Amor, tenho que construir eu o Amor.
Falo assim, porque sem ele fica tudo mais difícil, ou tudo mais fácil e menos doloroso. Agora sim, compreendo porque é que as pessoas se escondem por trás de fantasias e histórias irreais. Escondem-se para se protegerem. Para puderem vivê-las sem terem de sofrer.
Acomodam-se atrás de um arbusto mesmo ao pé do sítio onde a acção principal se dá. Assim, têm amor - amor indirecto – e não se magoam, não magoam ninguém e não se preocupam.
É o que eu faço.
Eu alimento-me do amor das outras pessoas. Agora, acho que não preciso dele.
Sou bem capaz de sobreviver com aquilo que tenho. Ou com aquilo que posso vir a ter.


Obrigada Carolina e Mateus *

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

I have NO name

Tenho sono.
Estou cansada e sinto-me um barril. Comi uma pizza média de barbecue sozinha. São 17.43 e, a esta hora eu já devia ter feito a digestão.

Apetece-me silêncio, mas tenho a música aos altos berros. Não percebo estas tendências paradoxais do ser humano.
Apetecia-me mesmo estar sozinha mas, por outro lado a única coisa que quero fazer é divertir-me.
Não entendo, não da para entender.
Podia tentar ser mais prática e deixar-me de mariquices. Podia deixar de tentar compreender, podia até deixar de escrever.
Mas insisto. Insisto porque gosto imenso de mim e preciso de saber tudo o que passa na minha cabeça.




O tempo não passa. O relógio não anda. Estagnei num campo desconhecido e só me apetece encontrar a saída… Encontrá-la para depois puder lá voltar. Fazer desse campo o meu refúgio sentimental. Os três metros não me chegam… E sim, talvez precise de assentar os pés na Terra e observar o Mundo à minha volta.

O Henrique

Podia contar muitas, muitas histórias felizes. Mas não conto! Não conto porque não me apetece. Para felicidade basta a realidade. As histórias não têm necessariamente de ser verdadeiras, não têm necessariamente de serem lógicas nem de fazerem sentido. As histórias foram feitas para sonharmos, para acreditarmos em coisas que, muito provavelmente não existem, para nos abrirem os olhos e para, em certos momentos, cairmos na realidade que, afinal, não era assim tão feliz como aparentava ser.



O Henrique não era um rapaz calmo. O Henrique era quase um fora da lei. Mas ele não se importava… Nem ele nem ninguém. Ele nunca foi muito dado. Melhor, ele não era dado mas também não se dava ao trabalho de dar. O Henrique só pensava em rebentar focinhos, partir pernas e jogar futebol. Era um animal. Mentira! Era pior que um animal. Toda a gente odiava o Henrique, e o Henrique odiava toda a gente.

Mas o Henrique mudou. Passou a frequentar os bares chiques de Lisboa, deixou de usar roupas largas, conheceu tios em Cascais, passou a ter modos - deixou de dizer asneiras, já pedia desculpa quando pisava alguém no autocarro e, até já comia de boca fechada.

É verdade! O Henrique mudou. Mas mudou tarde de mais.
Uma vez, foi procurar emprego no maior centro de emprego do país e, para seu azar, o Henrique foi atendido pela mãe de um miúdo a quem o Henrique já tinha posto no hospital, ou seja, o Henrique saiu do Centro de emprego sem emprego, com uma mancha na ficha pessoal e com uma mão marcada na cara.

Depois deste episódio, mais dois se ocorreram. O Henrique fartou-se e voltou à má vida.
Oh sim! Lá é que ele era feliz.